João Pessoa, 440 anos de luz, história e calor humano

 

Por Gilberto Correia da Silva

Neste 5 de agosto de 2025, João Pessoa completa 440 anos de fundação. A capital paraibana, berço de cultura, fé e resistência, é uma das cidades mais antigas do Brasil e carrega em si a força do tempo, a leveza das brisas atlânticas e o orgulho de um povo que construiu sua identidade com trabalho, esperança e beleza.

João Pessoa é reconhecida não apenas por sua importância histórica, mas também por sua qualidade de vida exemplar. A cidade atrai turistas de todo o mundo e é considerada por muitos como um dos melhores lugares para viver no Nordeste brasileiro. Entre os encantos que seduzem moradores e visitantes estão suas praias limpas e bem cuidadas, o planejamento urbano harmonioso, a rica cena cultural, além do acolhimento caloroso de seu povo.

Berço à beira do Sanhauá

A história começa em 1585, quando a cidade foi fundada com o nome de Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, em homenagem à padroeira, cuja devoção permanece viva até hoje. O local escolhido para o nascimento da cidade foi a margem do rio Sanhauá, um afluente do rio Paraíba, que banha o centro histórico e segue sendo testemunha silenciosa das transformações e conquistas da capital paraibana.

Em 1588, o nome da cidade foi alterado para Filipeia de Nossa Senhora das Neves, numa homenagem ao rei Filipe II da Espanha, refletindo o contexto da União Ibérica, quando as coroas de Portugal e Espanha estavam unificadas. Durante a ocupação holandesa, entre 1634 e 1654, os invasores rebatizaram a cidade de Frederikstad, nome que homenageava o príncipe holandês Frederico Henrique de Orange.

Com a retomada do controle português, a cidade voltou a ser chamada de Parahyba do Norte, nome que persistiu por mais de dois séculos. Somente em 1930, após o assassinato do então presidente da Paraíba e candidato à vice-presidência da República, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, o nome da cidade foi alterado para João Pessoa, em homenagem póstuma à sua figura política, marcada pela ética, austeridade e firmeza moral.

Capital que nasce com o sol

João Pessoa tem o privilégio geográfico de ser a cidade onde o sol nasce primeiro nas Américas. O ponto mais oriental do continente, localizado na Ponta do Seixas, projeta a capital para o mundo com um brilho único. É como se a cidade fosse o próprio farol do Brasil, apontando os caminhos da esperança e do recomeço, dia após dia.

Essa posição privilegiada, unida à sua natureza exuberante, rendeu à cidade títulos como o de segunda capital mais verde do mundo, perdendo apenas para Vancouver, no Canadá. O verde dos parques e praças, aliado ao azul do mar e à riqueza arquitetônica do Centro Histórico, formam uma paisagem de rara harmonia entre natureza e urbanização.

Cidade de cultura, fé e povo acolhedor

Além da beleza natural, João Pessoa é uma cidade profundamente marcada pela cultura popular, pela fé e pela arte. Do forró pé de serra às apresentações no Centro Cultural São Francisco, da fé vibrante na Festa das Neves às manifestações artísticas no Espaço Cultural, a cidade pulsa criatividade e tradição.

A gastronomia é outro ponto alto, com sabores que misturam o sertão e o litoral, o coco e a carne de sol, a tapioca e o camarão. Tudo isso regado à gentileza de um povo que sabe acolher como poucos. Quem chega, sente-se em casa. Quem vai, leva saudade.

A capital paraibana é também um centro de educação e inovação, com importantes universidades, centros de pesquisa e polos tecnológicos. A cidade tem crescido de forma ordenada, valorizando a sustentabilidade, a mobilidade urbana e o cuidado com o meio ambiente.

Presente em forma de poesia Sanhauá – Canção do Rio

Como forma de celebrar esta data tão significativa, ofereço um presente pessoal e afetivo à cidade que teve por berço o rio Sanhauá, esse velho companheiro da história pessoense. O poema a seguir tenta traduzir em palavras a alma da cidade, sua memória e sua vocação para o futuro.

 

Sanhauá – Poema do Rio

Nas margens do velho rio,

nasceu menina encantada,

de nome Senhora das Neves,

em fé e história banhada.

 

Filipeia de reis e alianças,

Frederikstad de lutas vãs,

Parahyba dos bravos passos,

João Pessoa das manhãs.

 

O Sanhauá murmura o tempo,

testemunha do que passou,

viu chegadas e partidas,

viu amor e viu rancor.

 

Hoje canta a tua história,

nos acordes do meu chão,

cidade que o sol beija cedo

e abraça com o coração.

 

Tuas praças guardam sorrisos,

tuas ruas, passos guardiões,

e o pôr do sol no Jacaré

diz mais que mil canções.

 

Tua alma mora no povo,

no sotaque, na fé, no abraço.

João Pessoa, és poesia

que o tempo escreve sem cansaço.

Parabéns, João Pessoa!

Pelos 440 anos de vida, resistência e beleza, que tua memória siga viva, tua gente siga livre e tua história continue inspirando gerações. Que o sol continue nascendo primeiro em ti, não apenas no céu, mas também no coração dos que te conhecem, amam e te chamam de lar.

Gilberto Silva

 

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