Por Toni Sando
Ao longo da história dos negócios, algumas organizações atravessam gerações enquanto outras desaparecem quase tão rápido quanto surgiram.
Muitas vezes, a diferença não está no produto ou no momento do mercado, mas na forma como essas instituições são construídas.
Recentemente encontrei o clássico “Feitas para Durar” de 1995, na biblioteca da SOMAERO – Sociedade dos Melhores Amigos da Aeronáutica, o que me fez revisitar algumas reflexões bastante atuais.
No livro, os autores James C. Collins e Jerry I. Porras analisaram empresas que prosperaram por décadas, ( e até hoje) como IBM, 3M, Procter & Gamble e Walt Disney Company.
O que elas têm em comum não são promessas ousadas, mas propósito claro, disciplina de gestão e visão de longo prazo.
No outro extremo, não faltam exemplos de empresas e instituições financeiras, que surgem rapidamente, prometem mais do que o mercado pode entregar, atraem investidores e crescem de forma acelerada, até que ….
Quando o crescimento é sustentado mais pela narrativa, promoção pessoal, marketing e articulação política, do que por fundamentos sólidos, o risco de fracasso aumenta.
Essa lógica também se aplica ao turismo e aos eventos.
Destinos não se consolidam apenas com campanhas momentâneas ou ações isoladas de promoção. Uma campanha pode gerar visibilidade, mas não sustenta competitividade se não houver base institucional, segmentação, planejamento e estratégia contínua.
Destinos fortes não são construídos a partir do oportunismo de quem ocupa momentaneamente posições de comando, muitas vezes com prazo de validade definido pelo ciclo político e interesses pessoais.
Eles se consolidam com planejamento, técnicos qualificados, transparência e sinergia entre o setor público, a iniciativa privada e as entidades representativas do setor.
É nesse ambiente que as organizações de Visitors e Convention Bureaus cumprem um papel essencial ao integrar a cadeia produtiva do turismo, das viagens e dos eventos, estruturar ações permanentes de atração de visitantes, feiras, congressos e, principalmente, preservar e dar continuidade a boas iniciativas.
Infelizmente, em muitos casos, projetos relevantes acabam sendo descartados ou dispersados a cada troca de comando político, interrompendo processos que deveriam ser tratados como políticas de longo prazo para o desenvolvimento dos destinos.
Assim como nas empresas feitas para durar, o que sustenta um destino ao longo do tempo não são promessas nem discursos da indústria sem chaminé, mas consistência.
No turismo, como nos negócios, resultados duradouros nascem de bases sólidas, cooperação e visão de longo prazo.
Em um mundo cada vez mais instável, estratégias bem estruturadas e trabalho coletivo fazem a diferença, abrindo caminho para que destinos, empresas e organizações continuem crescendo e prosperando ao longo do tempo, sem as surpresas de que até o passado é incerto…
*Toni Sando é um dos palestrantes confirmados para o II Encontro Nacional de Jornalistas e Comunicadores. Texto originalmente publicado no LikedIn.

